quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Como matar um poeta


Como matar um poeta
Arapongas (a assassina), 06 de agosto de 2012 19:38

E quando eu estava livre andava pelas ruas noturnas
Voltando de um trabalho onde sempre me sobrava algumas moedas
Para aquela menina que nunca pensou em me dar um olhar simples
Não havia nem mesmo molhos para comermos umas panquecas

Não havia nem mesmo um café para servir com pão de queijo
Mas o poste da rua dava um brilho alaranjado á todo o saguão
Deixando a rua, movimentada com a atividade típica de começo de noite
Muito mais interessante e romântica do que essa garota que é fria de coração

Mas eu não tenho tempo para admirar um boteco velho
Nem mesmo uma menina que se acha mulher
Tenho que voltar para casa e aproveitar o resto dos meus dias vazios
Esperando um ônibus na sarjeta, venha o transporte que vier

Não sei por que as pessoas perdem tempo livre assistindo TV
Existem várias coisas para se fazer enquanto está livre para ser você mesmo
Tem muitas árvores para serem admiradas, muitas histórias para serem contadas
Várias moças para serem beijadas, muitas telas para serem pintadas

Mas eu não energia para escrever
E você não tem inteligência nem gosto para ler
Por que é assim que um poeta deve morrer
Rimando pobre até que o salário dele perder

E minhas poesias diminuem assim como meu tempo livre
Já não leio mais quadrinhos, mangás nem mais a bíblia
Meu Dreamcast tem mais poeira que a biblioteca municipal
Se você não entendeu a referencia, por favor, renove o seu arsenal

Queria trabalhar para ter dinheiro
Queria ter dinheiro para ter tempo
Queria ter tempo para trabalhar
Mas faltou uma vida, para poder rimar

Helder Henrique do Nascimento Peres 19:51